Parto normal e incontinência fecal: por que acontece e quais são as opções de tratamento
O tema parto normal e incontinência fecal ainda é pouco discutido, mas afeta muitas mulheres em diferentes graus e pode gerar grande impacto físico, emocional e social.
Embora o parto vaginal seja um processo fisiológico, ele pode, em alguns casos, causar danos aos músculos e nervos do assoalho pélvico e do esfíncter anal.
Esses danos podem comprometer o controle evacuatório, levando à perda involuntária de gases, fezes líquidas ou até fezes sólidas.
A boa notícia é que existem diversas opções de tratamento, desde medidas conservadoras até intervenções mais avançadas, que permitem recuperar a função e a qualidade de vida.
Neste texto, você entenderá por que isso acontece e quais caminhos terapêuticos podem ajudar.
Por que o parto normal pode causar incontinência fecal?
A incontinência fecal após o parto está geralmente relacionada à combinação de fatores que afetam a musculatura e os nervos responsáveis pelo controle do ânus e do reto.
O esfíncter anal é formado por músculos que precisam estar íntegros e bem coordenados para manter a continência. Quando ocorre uma lesão, mesmo que discreta e inicialmente imperceptível, o controle evacuatório pode ser comprometido.
Lesões musculares e nervosas
Durante o parto vaginal, o períneo e o esfíncter anal são submetidos a grande pressão. Esse estiramento pode causar:
- Lesões nos músculos do esfíncter anal interno ou externo;
- Estiramento ou ruptura das fibras musculares;
- danos nos nervos pudendos, responsáveis por transmitir os sinais de contração e relaxamento.
Essas alterações podem ser mais intensas quando há uso de fórceps, parto instrumentado, lacerações perineais extensas ou realização de episiotomia ampla.
A perda de força ou coordenação muscular gera dificuldade para segurar gases ou fezes, causando escapes involuntários.
Enfraquecimento do assoalho pélvico
A gestação por si só já provoca sobrecarga sobre os músculos pélvicos.
Durante o parto, o esforço repetido ao empurrar pode enfraquecê-los ainda mais.
Essa fragilidade afeta o suporte fornecido ao reto e ao esfíncter, prejudicando o fechamento adequado do canal anal.
Lesões “silenciosas” que aparecem anos depois
É comum que algumas lesões passem despercebidas logo após o parto. Com o passar dos anos, fatores como menopausa, alterações hormonais, perda de massa muscular, constipação crônica e esforços repetitivos, podem evidenciar um problema que estava latente.
Por isso, a incontinência fecal pode surgir não apenas imediatamente após o parto, mas também muito tempo depois.
Como fazemos o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, complementado por exames que ajudam a identificar a extensão da lesão. Podemos solicitar:
- Ultrassonografia do esfíncter anal;
- Manometria anorretal, que avalia a força dos músculos;
- Exame físico detalhado;
- Ressonância pélvica, em alguns casos.
A avaliação precisa é essencial para definir o tratamento adequado.
Quais são as opções de tratamento para a incontinência fecal após o parto?
O tratamento da incontinência fecal após o parto é individualizado e depende da causa, gravidade dos sintomas e condições da paciente.
Muitas mulheres apresentam melhora com abordagens conservadoras, enquanto outras podem precisar de terapias avançadas ou cirurgia. Algumas opções que podemos lançar mão, são:
Fisioterapia do assoalho pélvico
É a primeira linha de tratamento e pode trazer excelentes resultados.
- Exercícios de fortalecimento (Kegel): aumentam a força dos músculos perineais e do esfíncter anal;
- Biofeedback: ajuda a mulher a aprender a contrair corretamente, aprimorando a coordenação muscular;
- Eletroestimulação: utiliza correntes leves para estimular e fortalecer a musculatura anal.
A fisioterapia melhora a resistência e a resposta muscular, contribuindo para o controle voluntário das evacuações.
Ajustes na dieta e no estilo de vida
A consistência das fezes tem impacto direto na continência, por isso alguns ajustes simples na dieta e nos hábitos intestinais podem fazer grande diferença.
Em casos de fezes líquidas, reduzir alimentos laxativos ou irritativos pode ajudar a diminuir a urgência e os episódios de escape.
Já em situações de constipação, é fundamental aumentar o consumo de fibras e manter boa hidratação para facilitar o trânsito intestinal.
Além disso, evitar esforço excessivo ao evacuar é essencial para não agravar possíveis lesões, enquanto manter horários regulares para ir ao banheiro contribui para um padrão intestinal mais estável e previsível.
Pequenas mudanças podem trazer melhora significativa nos sintomas.
Medicamentos
Podem ser usados de acordo com a natureza dos sintomas:
- Antidiarreicos, para reduzir urgência e consistência líquida;
- Formadores de bolo fecal, que tornam as fezes mais moldadas e fáceis de controlar;
- Laxantes leves, quando o problema é constipação associada à incontinência por transbordamento.
O uso deve sempre ser orientado por uma especialista.

Tratamentos avançados e cirurgia para a incontinência fecal
Quando a melhora com medidas conservadoras não é suficiente, outras opções podem ser consideradas.
Estimulação do nervo sacral
É um tratamento moderno e eficaz, indicado para casos moderados a graves.
Um pequeno dispositivo é implantado sob a pele para estimular os nervos responsáveis pelo controle do reto e do esfíncter.
Cirurgia reparadora
Indicada quando há lesão clara do esfíncter anal, especialmente rupturas completas.
A cirurgia visa reaproximar e reconstruir os músculos danificados, restabelecer a função do esfíncter e corrigir alterações anatômicas associadas, como prolapsos.
Os resultados são positivos quando a indicação é bem estabelecida.
A Dra. Camila Poccetti pode te ajudar
A incontinência fecal não deve ser vista como “normal após o parto”. Embora comum, é uma condição tratável e que frequentemente melhora com o acompanhamento adequado.
Quanto mais cedo a avaliação, maiores são as chances de recuperação funcional completa.
A Dra. Camila Poccetti é ginecologista e especialista em Uroginecologia, com ampla experiência no diagnóstico e tratamento de disfunções do assoalho pélvico.
Com formação pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), oferece atendimento acolhedor, técnico e personalizado para mulheres que buscam compreender e tratar sintomas como perdas fecais, escapes urinários, dor pélvica e alterações anatômicas pós-parto.
No consultório, a Dra. Camila realiza uma avaliação detalhada e indica as melhores estratégias terapêuticas, sempre com foco na recuperação da função e na qualidade de vida da paciente!
Dra. Camila Poccetti Ribeiro
Médica ginecologista e obstetra especialista em Uroginecologia
Conheça a formação da Dra. Camila:
- Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp);
- Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM;
- Especialização em Uroginecologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM.
A Dra. Camila Poccetti atende em seu consultório em São Paulo, no bairro Itaim Bibi, e oferece uma consulta completa, individualizada e humanizada para mulheres nas mais diversas fases de suas vidas!


