Parto normal e incontinência fecal: por que acontece e quais são as opções de tratamento

13 de janeiro de 2026

O tema parto normal e incontinência fecal ainda é pouco discutido, mas afeta muitas mulheres em diferentes graus e pode gerar grande impacto físico, emocional e social. 

Embora o parto vaginal seja um processo fisiológico, ele pode, em alguns casos, causar danos aos músculos e nervos do assoalho pélvico e do esfíncter anal. 


Esses danos podem comprometer o controle evacuatório, levando à perda involuntária de gases, fezes líquidas ou até fezes sólidas. 


A boa notícia é que existem diversas opções de tratamento, desde medidas conservadoras até intervenções mais avançadas, que permitem recuperar a função e a qualidade de vida.


Neste texto, você entenderá por que isso acontece e quais caminhos terapêuticos podem ajudar.


Por que o parto normal pode causar incontinência fecal?


A incontinência fecal após o parto está geralmente relacionada à combinação de fatores que afetam a musculatura e os nervos responsáveis pelo controle do ânus e do reto. 


O esfíncter anal é formado por músculos que precisam estar íntegros e bem coordenados para manter a continência. Quando ocorre uma lesão, mesmo que discreta e inicialmente imperceptível, o controle evacuatório pode ser comprometido.


Lesões musculares e nervosas


Durante o parto vaginal, o períneo e o esfíncter anal são submetidos a grande pressão. Esse estiramento pode causar:


  • Lesões nos músculos do esfíncter anal interno ou externo;
  • Estiramento ou ruptura das fibras musculares;
  • danos nos nervos pudendos, responsáveis por transmitir os sinais de contração e relaxamento.

Essas alterações podem ser mais intensas quando há  uso de fórceps, parto instrumentado, lacerações perineais extensas ou realização de episiotomia ampla.


A perda de força ou coordenação muscular gera dificuldade para segurar gases ou fezes, causando escapes involuntários.


Enfraquecimento do assoalho pélvico


A gestação por si só já provoca sobrecarga sobre os músculos pélvicos.


Durante o parto, o esforço repetido ao empurrar pode enfraquecê-los ainda mais. 


Essa fragilidade afeta o suporte fornecido ao reto e ao esfíncter, prejudicando o fechamento adequado do canal anal.


Lesões “silenciosas” que aparecem anos depois


É comum que algumas lesões passem despercebidas logo após o parto. Com o passar dos anos, fatores como menopausa, alterações hormonais, perda de massa muscular, constipação crônica e esforços repetitivos,  podem evidenciar um problema que estava latente.


Por isso, a incontinência fecal pode surgir não apenas imediatamente após o parto, mas também muito tempo depois.


Como fazemos o diagnóstico?


O diagnóstico é clínico, complementado por exames que ajudam a identificar a extensão da lesão. Podemos solicitar:


  • Ultrassonografia do esfíncter anal;
  • Manometria anorretal, que avalia a força dos músculos;
  • Exame físico detalhado;
  • Ressonância pélvica, em alguns casos.

A avaliação precisa é essencial para definir o tratamento adequado.


Quais são as opções de tratamento para a incontinência fecal após o parto?


O tratamento da incontinência fecal após o parto é individualizado e depende da causa, gravidade dos sintomas e condições da paciente.


Muitas mulheres apresentam melhora com abordagens conservadoras, enquanto outras podem precisar de terapias avançadas ou cirurgia. Algumas opções que podemos lançar mão, são:


Fisioterapia do assoalho pélvico


É a primeira linha de tratamento e pode trazer excelentes resultados.


  • Exercícios de fortalecimento (Kegel): aumentam a força dos músculos perineais e do esfíncter anal;
  • Biofeedback: ajuda a mulher a aprender a contrair corretamente, aprimorando a coordenação muscular;
  • Eletroestimulação: utiliza correntes leves para estimular e fortalecer a musculatura anal.

A fisioterapia melhora a resistência e a resposta muscular, contribuindo para o controle voluntário das evacuações.


Ajustes na dieta e no estilo de vida


A consistência das fezes tem impacto direto na continência, por isso alguns ajustes simples na dieta e nos hábitos intestinais podem fazer grande diferença. 


Em casos de fezes líquidas, reduzir alimentos laxativos ou irritativos pode ajudar a diminuir a urgência e os episódios de escape. 


Já em situações de constipação, é fundamental aumentar o consumo de fibras e manter boa hidratação para facilitar o trânsito intestinal. 


Além disso, evitar esforço excessivo ao evacuar é essencial para não agravar possíveis lesões, enquanto manter horários regulares para ir ao banheiro contribui para um padrão intestinal mais estável e previsível.


Pequenas mudanças podem trazer melhora significativa nos sintomas.


Medicamentos


Podem ser usados de acordo com a natureza dos sintomas:



  • Antidiarreicos, para reduzir urgência e consistência líquida;
  • Formadores de bolo fecal, que tornam as fezes mais moldadas e fáceis de controlar;
  • Laxantes leves, quando o problema é constipação associada à incontinência por transbordamento.

O uso deve sempre ser orientado por uma especialista.


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Tratamentos avançados e cirurgia para a incontinência fecal


Quando a melhora com medidas conservadoras não é suficiente, outras opções podem ser consideradas.


Estimulação do nervo sacral


É um tratamento moderno e eficaz, indicado para casos moderados a graves. 


Um pequeno dispositivo é implantado sob a pele para estimular os nervos responsáveis pelo controle do reto e do esfíncter.


Cirurgia reparadora


Indicada quando há lesão clara do esfíncter anal, especialmente rupturas completas.


A cirurgia visa reaproximar e reconstruir os músculos danificados, restabelecer a função do esfíncter e corrigir alterações anatômicas associadas, como prolapsos.


Os resultados são positivos quando a indicação é bem estabelecida.


A Dra. Camila Poccetti pode te ajudar


A incontinência fecal não deve ser vista como “normal após o parto”. Embora comum, é uma condição tratável e que frequentemente melhora com o acompanhamento adequado. 


Quanto mais cedo a avaliação, maiores são as chances de recuperação funcional completa.


A Dra. Camila Poccetti é ginecologista e especialista em Uroginecologia, com ampla experiência no diagnóstico e tratamento de disfunções do assoalho pélvico. 


Com formação pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), oferece atendimento acolhedor, técnico e personalizado para mulheres que buscam compreender e tratar sintomas como perdas fecais, escapes urinários, dor pélvica e alterações anatômicas pós-parto.



No consultório, a Dra. Camila realiza uma avaliação detalhada e indica as melhores estratégias terapêuticas, sempre com foco na recuperação da função e na qualidade de vida da paciente!




Dra. Camila Poccetti Ribeiro

Médica ginecologista e obstetra especialista em Uroginecologia

 

Conheça a formação da Dra. Camila:

  • Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp);
  • Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM;
  • Especialização em Uroginecologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM.

 

A Dra. Camila Poccetti atende em seu consultório em São Paulo, no bairro Itaim Bibi, e oferece uma consulta completa, individualizada e humanizada para mulheres nas mais diversas fases de suas vidas!

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