O que é endometriose e como tratar?

20 de janeiro de 2026

A resposta para o que é endometriose vai muito além de uma definição única: trata-se de uma condição inflamatória crônica, complexa e frequentemente dolorosa, que interfere na saúde física, emocional e reprodutiva de milhões de mulheres. 

Caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio, camada que reveste o útero, fora da cavidade uterina, a endometriose pode afetar diversos órgãos, como ovários, trompas, intestino, bexiga e até estruturas profundas da pelve. 


É uma doença que exige atenção, diagnóstico cuidadoso e abordagem individualizada, já que seus sintomas e impactos variam enormemente de uma mulher para outra.


A endometriose é muito mais comum do que se imagina: de acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que entre 10% e 30% das mulheres em idade reprodutiva convivam com a doença. 


Muitas recebem o diagnóstico tardiamente, pois seus sintomas podem ser confundidos com cólicas menstruais intensas ou alterações intestinais. 


Por isso, entender seus sinais, conhecer as formas de diagnóstico e saber que existem tratamentos eficazes é essencial para recuperar qualidade de vida.


O que exatamente é a endometriose?


A endometriose acontece quando células semelhantes às do endométrio crescem fora do útero, respondendo aos hormônios do ciclo menstrual.


Esses tecidos inflamam, sangram e provocam uma série de reações locais, como dor, formação de cistos (endometriomas) e aderências, ligações anormais entre órgãos que podem comprometer seu funcionamento.


Essas lesões podem surgir em diferentes regiões:


  • Ovários;
  • Trompas;
  • Ligamentos uterinos;
  • Peritônio;
  • Intestino;
  • Bexiga;
  • Região retrocervical;
  • Diafragma (mais raro).

É uma doença que costuma atingir mais mulheres entre 20 e 40 anos, mas também pode afetar adolescentes ou se manifestar pela primeira vez após os 40.


Classificação da endometriose: estágios da doença


A gravidade da endometriose não depende apenas da intensidade da dor. Há mulheres com lesões extensas que sentem pouco desconforto, e outras com focos pequenos que apresentam dor intensa. 


Para orientar o tratamento, utiliza-se a classificação da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM), que divide a doença em estágios:


  • Estágio I — Mínima: pequenos focos de endometriose, sem aderências;
  • Estágio II — Leve: lesões superficiais maiores, mas ainda sem acometimento profundo;
  • Estágio III — Moderada: múltiplas lesões, endometriomas ovarianos e algumas aderências;
  • Estágio IV — Grave: lesões profundas, grandes cistos e aderências densas que alteram a anatomia da pelve.


Também é importante diferenciar a endometriose profunda, que infiltra mais de 5 mm nos tecidos e pode comprometer intestino, bexiga e ureteres, exigindo planejamento cirúrgico especializado.


Principais sintomas da endometriose


A endometriose pode provocar uma ampla variedade de sintomas, sendo os mais comuns:


  • Cólica menstrual intensa (dismenorreia): dor incapacitante, que interfere na vida social, profissional ou escolar.
    Dor na relação sexual (dispareunia):
    especialmente na penetração profunda, causada por acometimento do fundo de saco vaginal ou região retrocervical.
    Dor pélvica crônica:
    desconforto persistente, que pode se intensificar no período menstrual.
    Alterações intestinais cíclicas:
    dor ao evacuar, constipação, diarreia ou sangramento intestinal durante a menstruação.
    Sintomas urinários cíclicos:
    dor ao urinar, urgência para urinar ou sangue na urina no período menstrual.
    Infertilidade:
    muitos casos de dificuldade para engravidar têm relação direta com a endometriose.


Importante destacar que, como vimos, a intensidade de dor não é sinônimo de grau da doença, pois cada corpo reage de forma única.


Como fazemos o diagnóstico?


O diagnóstico da endometriose começa com uma consulta detalhada, onde avaliamos sintomas, histórico clínico e realizamos exame físico. 


Lesões profundas podem ser percebidas durante o exame, mas a confirmação e o mapeamento adequado dependem de exames de imagem.


A ultrassonografia com mapeamento da endometriose é um dos exames mais importantes.


Quando realizado por especialista, identifica lesões em diversas regiões, como intestino, ovários, ligamentos e bexiga. Permite avaliar a profundidade das lesões e possíveis comprometimentos que exigirão planejamento cirúrgico.


Já a ressonância magnética é útil para identificar focos profundos, endometriomas volumosos e comprometimento multifocal do intestino ou de outras estruturas.


Quando suspeitamos de lesões retrocervicais ou risco de obstrução do ureter, podemos solicitar também uma ultrassonografia de vias urinárias.


Como tratar a endometriose?


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Não existe um único tratamento que funcione para todas as mulheres. A escolha depende dos sintomas, do desejo reprodutivo, da localização das lesões e da resposta a abordagens anteriores. 


Por ser uma doença inflamatória crônica, que evolui de maneira distinta em cada paciente, o manejo deve sempre ser individualizado, integrando medidas comportamentais, terapias medicamentosas e, quando necessário, intervenção cirúrgica. 


Assim, o plano terapêutico costuma envolver uma combinação de estratégias complementares.


Mudanças no estilo de vida: base do controle da doença


O primeiro eixo de tratamento envolve mudanças no estilo de vida.


Embora não substituam o acompanhamento médico, essas medidas são reconhecidas por reduzir inflamação sistêmica, melhorar a dor e potencializar os benefícios das terapias clínicas.


Recomenda-se uma alimentação com perfil anti-inflamatório, priorizando alimentos naturais, ricos em fibras e antioxidantes, com redução de açúcares, farinha branca e ultraprocessados. 


A prática regular de atividade física também desempenha papel fundamental, pois melhora a circulação, regula hormônios e reduz dores pélvicas crônicas. 


A higiene do sono deve ser ajustada para garantir noites reparadoras, já que privação de sono aumenta processos inflamatórios.


Técnicas de manejo do estresse, como meditação, mindfulness, psicoterapia e exercícios respiratórios contribuem para diminuir a percepção da dor e melhorar o bem-estar geral. 


Por fim, o consumo de álcool deve ser moderado, pois pode agravar inflamação e interferir no metabolismo de hormônios.


Todas essas medidas, quando adotadas de forma consistente, ajudam a controlar sintomas e tornam o organismo mais responsivo às demais linhas de tratamento.


Tratamento clínico medicamentoso


O segundo pilar é o tratamento clínico medicamentoso, cujo objetivo é controlar a dor, reduzir a atividade inflamatória das lesões e impedir sua progressão.


A terapia hormonal é frequentemente utilizada porque diminui o estímulo sobre o tecido endometriótico. Entre as opções estão:


Anticoncepcionais combinados


Regulam o ciclo menstrual, reduzem o sangramento e aliviam cólicas ao diminuir o estímulo hormonal sobre os focos de endometriose. 


São uma das primeiras opções para controle dos sintomas em mulheres que não apresentam contraindicações ao estrogênio.


Progestagênios isolados 


Indicados para pacientes que não podem ou não desejam utilizar estrogênio. 


Eles atuam suprimindo a ovulação e estabilizando o endométrio, o que reduz sangramento, inflamação e dor pélvica. São opções seguras para uso contínuo.


DIU hormonal 


libera progesterona diretamente no útero, oferecendo ação local mais intensa e com menos efeitos sistêmicos. 


Costuma reduzir significativamente o fluxo menstrual e a dor, sendo uma alternativa eficaz e de longa duração para o controle da endometriose.


Análogos de GnRH


Induzem uma supressão profunda dos hormônios ovarianos, criando um estado temporário semelhante à menopausa. 


Isso reduz drasticamente o estímulo sobre as lesões endometrióticas. Por causarem efeitos colaterais mais intensos (como ondas de calor e perda óssea), são reservados para casos selecionados ou quando outras terapias não funcionaram.


A escolha da terapia hormonal ideal exige avaliação cuidadosa do desejo reprodutivo da paciente, histórico clínico, contraindicações e perfil de tolerância.


Além disso, medicamentos para controle da dor podem ser utilizados, como analgésicos e anti-inflamatórios.


Eles são úteis, principalmente, em episódios agudos, mas não devem ser considerados tratamento principal ou de longo prazo, já que não atuam na causa da doença. 


Quando a dor persiste apesar do uso das medicações tradicionais, é necessário reavaliar a abordagem hormonal ou considerar outras intervenções, incluindo terapias mais específicas para dor pélvica crônica.


Cirurgia


A cirurgia representa o terceiro pilar de tratamento e continua sendo considerada o padrão ouro para determinados casos. 


A abordagem cirúrgica é indicada especialmente quando há endometriose profunda, comprometimento de órgãos como intestino, bexiga ou ureteres, presença de aderências extensas, infertilidade associada ou quando os sintomas permanecem intensos mesmo após tratamento clínico adequado. 


O objetivo da cirurgia é remover de forma completa e precisa todas as lesões, restaurar a anatomia pélvica, preservar a fertilidade quando possível e melhorar a qualidade de vida. 


O procedimento deve ser realizado por equipe especializada em endometriose profunda, pois a complexidade anatômica dos casos exige experiência, técnica refinada e integração com outras especialidades, como urologia e coloproctologia, quando necessário. 


Uma cirurgia bem executada oferece melhores resultados, menor risco de complicações e maior controle da doença no longo prazo.


Em conjunto, essas abordagens compõem um plano terapêutico abrangente, construído de forma cuidadosa e centrado nas necessidades da paciente. 


Buscar ajuda especializada faz toda a diferença


A endometriose é uma condição complexa, mas quando acompanhada de perto por uma ginecologista experiente, sua evolução pode ser controlada com eficácia, permitindo mais conforto, autonomia e qualidade de vida.


O tratamento adequado melhora a dor, preserva a fertilidade, reduz complicações e devolve qualidade de vida às pacientes.


A Dra. Camila Poccetti atua com foco no diagnóstico preciso e no manejo completo da endometriose, oferecendo atendimento individualizado, empático e baseado nas melhores evidências científicas. 


Se você apresenta sintomas sugestivos ou busca uma avaliação aprofundada, agende uma consulta



Cuidar de você é o primeiro passo para retomar seu bem-estar!


Dra. Camila Poccetti Ribeiro

Médica ginecologista e obstetra especialista em Uroginecologia

 

Conheça a formação da Dra. Camila:

  • Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp);
  • Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM;
  • Especialização em Uroginecologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM.

 

A Dra. Camila Poccetti atende em seu consultório em São Paulo, no bairro Itaim Bibi, e oferece uma consulta completa, individualizada e humanizada para mulheres nas mais diversas fases de suas vidas!

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