Infecção urinária de repetição: como tratar de forma eficaz?
Infecção urinária de repetição é uma condição que afeta milhares de mulheres e pode causar grande impacto na qualidade de vida, especialmente quando os episódios se tornam frequentes, dolorosos e limitantes.
Apesar de ocorrer com muitas pacientes, esse problema não deve nunca ser considerado “normal”.
A repetição da infecção indica que algo precisa ser investigado com mais profundidade, seja no comportamento, na anatomia urinária, nos hábitos de higiene ou mesmo no equilíbrio hormonal.
A boa notícia é que, com avaliação adequada e tratamento individualizado, é possível controlar o quadro, reduzir a frequência das crises e recuperar o bem-estar.
A seguir, entenda o que pode causar infecções urinárias repetidas, quais exames são necessários e quais são as estratégias mais eficazes para tratamento e prevenção.
O que é infecção urinária e por que ela se repete?
A infecção urinária ocorre quando bactérias, em sua maioria a Escherichia coli, que habita naturalmente o intestino, chegam à uretra e conseguem se multiplicar na bexiga.
Como a uretra feminina é curta e próxima da vagina e do ânus, a probabilidade de contaminação é muito maior nas mulheres.
De acordo com a Febrasgo, estima-se que 50% delas terão ao menos um episódio ao longo da vida.
Consideramos infecção urinária de repetição quando a mulher apresenta três ou mais episódios no período de 12 meses, ou dois episódios em seis meses.
Isso indica maior predisposição, que pode ter múltiplas origens e exige investigação.
Principais causas da infecção urinária de repetição
A repetição do quadro geralmente está associada a uma soma de fatores. Entre os mais comuns estão:
Anatomia feminina
A uretra curta e próxima ao ânus facilita a migração de bactérias para o trato urinário. É um fator anatômico natural e inevitável, mas que torna os cuidados de higiene essenciais.
Relações sexuais
Durante o sexo, ocorre maior movimentação de bactérias da região genital, aumentando a chance de contaminação da uretra. Mulheres sexualmente ativas têm maior risco de repetição.
Alterações hormonais
Na menopausa, a queda do estrogênio provoca mudanças na mucosa vaginal e na flora bacteriana protetora, abrindo espaço para maior proliferação de bactérias.
Genética
Algumas mulheres possuem características genéticas que favorecem a adesão bacteriana ao urotélio, tornando as infecções mais prováveis.
Hábitos urinários inadequados
Segurar a urina por longos períodos ou não esvaziar completamente a bexiga favorece a multiplicação bacteriana.
Infecções vaginais não tratadas
Vaginose bacteriana e candidíase frequente podem alterar o equilíbrio da microbiota local, contribuindo para recorrência.
Roupas e hábitos de higiene
Roupas apertadas, calcinhas sintéticas e uma região íntima constantemente úmida favorecem o ambiente ideal para bactérias.
Alimentação rica em açúcares e ultraprocessados
Esses alimentos alteram o pH urinário e facilitam a proliferação bacteriana, aumentando o risco de episódios repetidos.
É fundamental compreender que a repetição não significa “má higiene”, trata-se de uma condição multifatorial que precisa ser avaliada com cuidado.
Quais são os sintomas que merecem atenção?

A infecção urinária pode se manifestar de formas distintas, e compreender essa diferença é essencial para buscar ajuda no momento certo.
A cistite é a infecção urinária baixa, que atinge apenas bexiga e uretra. Já a pielonefrite é uma infecção urinária alta, que envolve os rins e tende a ser muito mais grave, geralmente acompanhada de febre alta, calafrios, náuseas e dor lombar intensa.
Os sintomas mais comuns da infecção urinária baixa (cistite) incluem:
- Ardência ao urinar;
- Necessidade urgente e frequente de urinar;
- Dor na região pélvica;
- Urina turva ou com sangue;
- Sensação de esvaziamento incompleto.
Já a pielonefrite, forma mais grave, pode causar:
- Febre alta;
- Calafrios;
- Náuseas;
- Dor lombar intensa.
Diante de qualquer desconforto urinário, especialmente quando os sintomas são intensos ou se repetem, é fundamental procurar atendimento médico rapidamente, evitando complicações e reduzindo o risco de novos episódios.
Como fazemos o diagnóstico da infecção urinária de repetição?
Em casos isolados de cistite, o diagnóstico costuma ser clínico. Porém, quando a mulher apresenta sintomas recorrentes, é necessário um estudo mais completo, que pode incluir:
- Exame de urina (EAS e urocultura): identifica a bactéria e orienta o antibiótico ideal;
- Ultrassom das vias urinárias: avalia rins, bexiga e possíveis alterações anatômicas;
- Estudo urodinâmico: indicado quando há suspeita de disfunção miccional;
- Exames ginecológicos: para investigar infecções vaginais e queda hormonal.
A investigação correta é o primeiro passo para um tratamento realmente eficaz.
Tratamento: como controlar a infecção urinária de repetição de forma eficaz?
O tratamento da infecção urinária de repetição deve ser sempre individualizado, baseado nos fatores desencadeantes e na resposta clínica da paciente.
Tratamento das crises agudas
Quando há infecção ativa, o antibiótico é necessário.
A escolha do medicamento deve ser feita com base na urocultura, especialmente em casos repetidos, para evitar resistência bacteriana.
Identificação e correção de fatores de risco
Antes de estabelecer qualquer estratégia de prevenção, é essencial investigar quais hábitos ou condições individuais estão favorecendo a recorrência das infecções.
Poderemos adotar:
- Ajustes no hábito miccional;
- Tratamento de vaginites;
- Orientação sobre higiene íntima;
- Adequação do consumo de água;
- Avaliação hormonal.
Terapia antibiótica contínua
Em casos selecionados, especialmente quando as crises são frequentes mesmo após mudanças de hábitos e medidas preventivas, pode ser indicada uma estratégia de uso controlado e prolongado de antibióticos.
Essa abordagem pode ocorrer de duas formas:
•
Profilaxia contínua, com doses baixas de antibiótico tomadas diariamente por um período determinado, geralmente de 3 a 6 meses;
•
Profilaxia pós-coito, indicada quando as infecções estão claramente relacionadas à atividade sexual, com o uso de uma dose única após a relação.
O objetivo não é tratar infecções ativas, mas reduzir a chance de novos episódios enquanto a paciente corrige fatores predisponentes.
A indicação deve ser individualizada e acompanhada de perto pela médica, para evitar resistência bacteriana e garantir o melhor resultado possível.
Terapias não antibióticas como suporte preventivo
Além dos tratamentos tradicionais, diversas abordagens não antibióticas vêm ganhando espaço na prevenção da infecção urinária de repetição.
Entre elas estão probióticos específicos que ajudam a reequilibrar a flora vaginal e urinária, cranberry em alta concentração padronizada, vitamina C para acidificação urinária e D-manose, que impede a adesão de bactérias à bexiga.
Embora não substituam o uso de antibióticos durante episódios ativos, essas estratégias contribuem significativamente para reduzir a frequência das recorrências.
Estrogênio vaginal para mulheres na menopausa
Em mulheres no climatério ou menopausa, o uso de estrogênio vaginal local é uma das medidas mais eficazes para prevenção.
Ele melhora a qualidade da mucosa vaginal, aumenta a lubrificação e restaura a flora protetora, reduzindo de forma importante o risco de novos episódios de infecção urinária.
Hábitos simples que ajudam a prevenir novos episódios
Há uma série de ajustes simples no dia a dia que podem reduzir de forma significativa a chance de novas infecções.
Pequenas mudanças de comportamento ajudam a proteger o trato urinário, melhorar o ambiente vaginal e dificultar a proliferação de bactérias que costumam causar cistites de repetição.
Essas medidas são fundamentais tanto para quem já convive com episódios frequentes quanto para quem deseja prevenir a recorrência após um tratamento bem-sucedido:
- Beber 1,5 a 2 litros de água por dia;
- Urinar sempre que houver vontade;
- Evitar duchas vaginais;
- Urinar após relações sexuais;
- Higienizar sempre de frente para trás;
- Preferir calcinhas de algodão;
- Moderar o consumo de doces e ultraprocessados.
São medidas simples, mas que fazem grande diferença na prevenção a longo prazo.
Conte com a Dra. Camila Poccetti
Infecções repetidas nunca devem ser tratadas apenas com uso indiscriminado de antibióticos.
É preciso entender o motivo da repetição e atuar de maneira estratégica, reduzindo a agressão à bexiga, evitando complicações renais e preservando a saúde da mulher.
A Dra. Camila Poccetti é especialista no diagnóstico e tratamento de doenças do trato urinário feminino, com atuação cuidadosa, técnica e humanizada.
Seu objetivo é compreender cada paciente em sua individualidade, identificando os fatores que levam à repetição da infecção e construindo um plano de tratamento seguro, eficaz e sustentável.
Se você sofre com infecção urinária de repetição, saiba que não precisa conviver com esse desconforto.
Com avaliação especializada, é possível recuperar sua qualidade de vida e prevenir novos episódios!
Dra. Camila Poccetti Ribeiro
Médica ginecologista e obstetra especialista em Uroginecologia
Conheça a formação da Dra. Camila:
- Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp);
- Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM;
- Especialização em Uroginecologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM.
A Dra. Camila Poccetti atende em seu consultório em São Paulo, no bairro Itaim Bibi, e oferece uma consulta completa, individualizada e humanizada para mulheres nas mais diversas fases de suas vidas!



