Dor na relação sexual: o que pode ser em cada fase da vida?

9 de junho de 2026

A dor na relação sexual pode acontecer em diferentes momentos da vida da mulher.

Embora seja uma queixa frequente, essa dor não deve ser ignorada. 


Muitas vezes, ela está relacionada a mudanças hormonais, condições ginecológicas ou até fatores emocionais que variam conforme a fase da vida.


Entender o que pode estar por trás desse desconforto em cada etapa, desde o início da vida sexual até a menopausa é essencial para buscar o tratamento ideal.


Assim, você poderá recuperar o seu bem-estar, autoestima e a qualidade de vida.


O que é a dor na relação sexual? Quais são os tipos de incômodo?


A dor durante a relação sexual, chamada de dispareunia, pode acometer mulheres em diferentes fases da vida e ter múltiplas causas, que vão desde fatores físicos até aspectos emocionais e psicológicos.


Apesar disso, muitas mulheres deixam de procurar ajuda por constrangimento ou falta de informação, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado. 


Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, cerca de 23% das mulheres brasileiras apresentam esse tipo de dor.


De forma geral, podemos classificar a dispareunia em dois tipos principais. 


A dor superficial, também conhecida como dor de penetração, ocorre logo no início da relação, geralmente na região da vulva ou na entrada da vagina. 


Já a dor profunda é percebida durante movimentos mais profundos, quando há contato com estruturas internas, como o colo do útero ou outras áreas da pelve.


É comum sentir dor nas primeiras relações? 


É relativamente comum que algumas mulheres sintam dor nas primeiras relações sexuais.


Porém, não devemos considerar algo obrigatório ou “normal” a ponto de ser ignorado. 


Esse desconforto pode estar relacionado a fatores como ansiedade, tensão muscular, falta de lubrificação adequada ou medo, que dificultam o relaxamento da musculatura vaginal no momento da penetração. 


Em alguns casos, a dor também pode ocorrer por adaptação do corpo a uma experiência nova, especialmente quando não há estímulo suficiente ou preparo adequado.


Entretanto, quando a dor é intensa, persistente ou se repete nas relações seguintes, é importante investigar, pois pode estar associada a condições como infecções, alterações anatômicas ou até questões emocionais mais profundas. 


Quais condições podem causar dor na fase reprodutiva?


Na fase reprodutiva, a dor durante a relação sexual pode estar relacionada a diferentes condições ginecológicas, hormonais e até emocionais, por isso é importante investigar a causa correta.


Dessa forma, devemos investigar uma série de condições:


  • Endometriose: pode causar dor profunda, especialmente durante a penetração mais intensa;
  • Infecções ginecológicas (como candidíase e vaginose): provocam ardência, coceira e desconforto durante o ato; 
  • Doença inflamatória pélvica (DIP): inflamação dos órgãos internos que pode gerar dor persistente;
  • Ressecamento vaginal: pode ocorrer por uso de anticoncepcionais hormonais ou alterações hormonais; 
  • Vaginismo: contração involuntária da musculatura vaginal, dificultando ou impedindo a penetração;
  • Alterações anatômicas ou cicatrizes: como após cirurgias ou traumas; 
  • Fatores emocionais (ansiedade, estresse, experiências negativas): podem impactar diretamente na resposta sexual.


Por que a dor durante a relação sexual pode surgir após o parto?


A dor na relação sexual após o parto pode surgir por uma combinação de fatores físicos e hormonais que ocorrem nesse período de adaptação do corpo. 


Após o parto vaginal, é comum haver sensibilidade na região íntima devido ao estiramento dos tecidos, possíveis lacerações no parto ou à cicatrização de pontos (episiotomia), o que pode gerar desconforto durante a penetração. 


Além disso, durante a amamentação, há uma queda nos níveis de estrogênio, hormônio importante para a lubrificação vaginal, o que pode levar ao ressecamento e aumentar a sensação de dor.


Outro aspecto importante envolve o assoalho pélvico, que pode ficar enfraquecido ou tensionado após a gestação e o parto, contribuindo para desconforto ou dificuldade na relação. 


Questões emocionais também podem influenciar, como cansaço, insegurança com o próprio corpo, medo de dor ou falta de desejo nesse período de adaptação à nova rotina. 


No nosso blog, temos um artigo completo sobre a dor durante a relação sexual no pós-parto, confira!


Perimenopausa e menopausa: quais são as principais causas para a dor na relação sexual?


Na perimenopausa e na menopausa, a dor durante a relação sexual está principalmente relacionada à queda dos níveis de estrogênio, hormônio essencial para a saúde da mucosa vaginal. 


Essa redução hormonal leva ao afinamento, ressecamento e perda de elasticidade dos tecidos vaginais, condição conhecida como síndrome geniturinária da menopausa.


Como consequência, a lubrificação natural diminui, aumentando o atrito durante a relação e causando dor, ardência ou até pequenos sangramentos.


Além disso, essa fase pode estar associada a alterações na vascularização da região íntima, redução da sensibilidade e maior predisposição a irritações e infecções, o que também contribui para o desconforto. 


Lembramos que fatores emocionais, como diminuição da libido, mudanças na autoestima e impacto psicológico das transformações corporais, também podem intensificar a percepção da dor. 


Quais são as opções de tratamento para dor na relação sexual?


As opções de tratamento para dor na relação sexual variam conforme a causa, por isso é fundamental investigar com bastante rigor a condição da paciente. 


Como explicamos, esse sintoma pode ter origem física, hormonal ou emocional. 


Por exemplo, quando há ressecamento vaginal após o parto, o uso de lubrificantes durante a relação e hidratantes vaginais pode trazer alívio imediato até que o corpo se equilibre. 


Já em casos de ressecamento relacionado à queda hormonal, como na menopausa, podemos indicar a terapia hormonal local ou sistêmica. Ela ajuda a melhorar a lubrificação e a elasticidade dos tecidos.


Se a dor estiver associada a infecções ginecológicas, o tratamento envolve o uso de medicamentos específicos, como antifúngicos ou antibióticos. 


Em condições como endometriose, nosso manejo pode incluir medicamentos hormonais ou até cirurgia, dependendo da gravidade.


Quando há participação da musculatura pélvica, como no caso de tensão ou vaginismo, a fisioterapia pélvica pode ser muito eficaz, ajudando no relaxamento e fortalecimento da região. 


Em alguns casos, podemos recorrer ao laser vaginal para melhorar a qualidade do tecido vaginal e reduzir o desconforto.


Quer saber como funciona a fisioterapia pélvica e o laser vaginal? Acesse esses artigos em nosso site!


Além disso, fatores emocionais como ansiedade, medo ou experiências negativas podem contribuir para a dor, sendo importante o acompanhamento psicológico.


O acompanhamento pode ser multidisciplinar, envolvendo mais de uma especialidade. O importante é contar com uma ginecologista que avalie o quadro de forma criteriosa para definir o melhor plano de tratamento. 


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Por que você não deve ignorar esse sintoma? 


Você não deve ignorar a dor na relação sexual porque, embora possa parecer algo pontual, muitas vezes é um sinal de que algo no organismo não está funcionando como deveria. 


Esse sintoma pode estar relacionado a condições como infecções, alterações hormonais, endometriose ou até questões musculares e emocionais, que tendem a se agravar quando não são investigadas. 


Além do impacto físico, a dor também pode afetar a autoestima, a vida afetiva e a qualidade de vida da mulher, criando um ciclo de desconforto e evitação das relações.


Por isso, é importante procurar a ginecologista para uma avaliação adequada, identificar a causa e iniciar o tratamento correto o quanto antes. 


Quanto mais cedo houver o diagnóstico, maiores são as chances de resolver o problema de forma mais simples.


Se você tem sentido dor ou desconforto, não normalize esse sintoma. 



Agende uma consulta com a Dra. Camila Poccetti e receba um atendimento acolhedor, individualizado e focado no seu bem-estar!


Dra. Camila Poccetti Ribeiro

Médica ginecologista e obstetra especialista em Uroginecologia

 

Conheça a formação da Dra. Camila:

  • Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp);
  • Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM;
  • Especialização em Uroginecologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM.

 

A Dra. Camila Poccetti atende em seu consultório em São Paulo, no bairro Itaim Bibi, e oferece uma consulta completa, individualizada e humanizada para mulheres nas mais diversas fases de suas vidas!

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