Cisto no ovário: quando são normais e quando precisam de tratamento

2 de junho de 2026

Descobrir um cisto no ovário pode gerar preocupação imediata, mas a verdade é que, na maioria dos casos, eles fazem parte do funcionamento natural do corpo feminino. 

Ainda assim, nem todos os cistos são iguais e entender quando são fisiológicos e quando precisam de atenção é essencial para cuidar da saúde com segurança.


Afinal, quando um cisto é considerado normal? E em que situações ele exige acompanhamento ou tratamento? 


Conhecer essas diferenças é o primeiro passo para evitar preocupações desnecessárias e agir no momento certo!


O que é um cisto no ovário? Ter cisto no ovário é comum?


Um cisto no ovário é uma formação geralmente preenchida por líquido que se desenvolve dentro ou sobre o ovário.


Na maioria das vezes, esse quadro é benigno e relacionado ao funcionamento normal do ciclo menstrual. 


De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), muitos desses cistos ovarianos são chamados de funcionais, pois surgem a partir do crescimento natural dos folículos ovarianos.


Além disso, eles podem desaparecer espontaneamente ao longo do tempo, sem necessidade de tratamento.


Ter cisto no ovário é algo relativamente comum, especialmente em mulheres em idade reprodutiva, já que está frequentemente ligado ao próprio processo de ovulação. 


A própria FEBRASGO destaca que os cistos simples estão entre as alterações ovarianas mais frequentes, muitas vezes sendo achados incidentais e sem causar sintomas.


Quais são os principais tipos de cistos ovarianos?


Existem diferentes tipos de cistos ovarianos, que variam conforme sua origem, composição e comportamento no organismo. 

Conheça abaixo os principais:


Cisto folicular


Esse é um dos tipos mais comuns e benignos. 


Ele se forma quando o folículo, estrutura que abriga o óvulo, cresce, mas não consegue romper para liberar o óvulo durante a ovulação. 


Em condições normais, esse folículo se transformaria no corpo lúteo, mas quando isso não acontece, o cisto pode se formar. 


Geralmente desaparece sozinho com o tempo.


Cisto de corpo lúteo


Surge após a ovulação, quando o corpo lúteo, responsável pela produção de progesterona, não regride como esperado. 


Em vez disso, pode se acumular líquido ou sangue, aumentando de tamanho e, em alguns casos, causando dor. 


Na maioria das vezes, regride espontaneamente, mas pode exigir tratamento medicamentoso ou, raramente, intervenção cirúrgica.


Cisto hemorrágico


Esse tipo ocorre quando há sangramento dentro de um cisto funcional, formando um conteúdo com sangue. 


Pode causar dor abdominal súbita ou desconforto pélvico, mas frequentemente é reabsorvido pelo organismo. 


Caso persista ou cause complicações, pode ser necessária avaliação cirúrgica.


Cisto dermoide (teratoma)


Originado a partir de células germinativas, esse cisto pode estar presente desde o nascimento. 


Ele pode conter diferentes tipos de tecido, como gordura, cabelo, dentes e até fragmentos ósseos.


Apesar de geralmente benigno, costumamos tratar com cirurgia devido ao risco de crescimento e complicações.


Fibroma ovariano


É um tumor benigno de consistência sólida, mais frequente em mulheres na menopausa. 


Diferente dos cistos funcionais, não está relacionado ao ciclo menstrual e, por isso, o tratamento costuma ser cirúrgico.


Endometrioma ovariano


Também conhecido como “cisto de chocolate”, está associado à endometriose. 


É formado pelo acúmulo de sangue proveniente de tecido endometrial fora do útero. 


O tratamento depende da gravidade do caso, podemos indicar medicamentos hormonais ou cirurgia, especialmente quando há dor intensa ou infertilidade associada.


Quais sintomas podem indicar um cisto no ovário? 


É importante que a paciente esteja atenta aos sinais que o corpo pode apresentar, já que alguns sintomas podem indicar a presença de um cisto no ovário

.

Entre eles, estão:


  • Dor pélvica ou abdominal, que pode ser leve ou intensa; 
  • Sensação de peso ou pressão na parte inferior do abdômen; 
  • Inchaço abdominal ou distensão;
  • Dor durante a relação sexual;
  • Alterações no ciclo menstrual, como atraso ou irregularidade; 
  • Vontade frequente de urinar, devido à pressão sobre a bexiga; 
  • Dor ao evacuar, em alguns casos;
  • Náuseas ou desconforto abdominal, especialmente se houver complicações.


Lembramos que esses sintomas podem variar de intensidade e nem sempre estão presentes. 


Por isso, a avaliação da especialista é fundamental para um diagnóstico adequado.


Como fazemos o diagnóstico dos cistos ovarianos? 


O diagnóstico dos cistos ovarianos geralmente começa com a avaliação clínica. Levamos em consideração os sintomas relatados pela paciente e o exame físico.


Em muitos casos, o cisto pode não causar sintomas e ser descoberto de forma incidental durante exames de rotina. 


Para confirmar a presença do cisto e avaliar suas características, o principal exame que utilizamos é a ultrassonografia, especialmente a transvaginal.


Ela nos permite visualizar o tamanho, a localização e o conteúdo da lesão, ajudando a diferenciar cistos simples de formações mais complexas.


Quando necessário, podemos solicitar outros exames para complementar a investigação, como a ressonância magnética ou exames laboratoriais, incluindo marcadores tumorais.


A partir da análise conjunta dos sintomas, exame físico e resultados de imagem, conseguimos definir se o cisto é benigno e funcional ou se exige tratamento.


Quais são as principais opções de tratamento do cisto no ovário?


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Para definir o tratamento, levamos em conta diversos aspectos, como o tamanho do cisto, seu tipo, a presença ou não de sintomas e a idade da paciente.


Em muitas situações, principalmente quando o cisto é pequeno e não causa sintomas, a conduta pode ser apenas o acompanhamento periódico.


Assim, solicitamos exames para observar sua evolução ao longo do tempo.


Por outro lado, quando o cisto apresenta grandes dimensões, provoca dor ou outros sintomas, possui características suspeitas ou não regride após alguns ciclos menstruais, pode ser necessária a intervenção cirúrgica.


Vale destacar que, diante da suspeita de malignidade, a retirada cirúrgica do ovário costuma ser a abordagem mais segura para confirmação diagnóstica. 


As principais técnicas cirúrgicas incluem  a ooforoplastia, em que apenas o cisto é removido com preservação do ovário, e a ooforectomia, que consiste na retirada completa do ovário. 


De forma geral, a videolaparoscopia é a via preferida por ser minimamente invasiva.


Assim, atuamos por meio de pequenas incisões no abdômen, o que proporciona uma recuperação mais rápida. 


Na maioria dos casos, a paciente recebe alta em até 24 horas e pode retomar gradualmente suas atividades, incluindo a rotina e a vida sexual, em um período de cerca de 15 a 30 dias, conforme orientação médica.


No nosso site, temos um artigo completo sobre a videolaparoscopia ginecológica, acesse para saber mais!


Já a laparotomia, que é uma cirurgia aberta com incisão maior, pode ser necessária em situações muito específicas, o que exige um tempo de recuperação mais prolongado.


Como saber se o seu caso precisa de tratamento? 


Saber se o seu caso precisa de tratamento depende de uma avaliação personalizada. 


Como explicamos, muitos cistos ovarianos são benignos e podem desaparecer espontaneamente, enquanto outros exigem acompanhamento mais próximo ou até intervenção. 


Por isso, é essencial observar sintomas, realizar exames de imagem e entender as características do cisto, como tamanho, tipo e comportamento ao longo do tempo.


Contar com a avaliação da ginecologista é fundamental nesse processo.


Somente a especialista poderá interpretar corretamente os exames, acompanhar a evolução do quadro e indicar a melhor conduta para cada situação. 


Então, se você recebeu esse diagnóstico ou está com dúvidas, não deixe para depois. 



Agende uma consulta com a Dra. Camila Poccetti e tenha um acompanhamento completo, com orientação segura para o seu caso!


Dra. Camila Poccetti Ribeiro

Médica ginecologista e obstetra especialista em Uroginecologia

 

Conheça a formação da Dra. Camila:

  • Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp);
  • Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM;
  • Especialização em Uroginecologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM.

 

A Dra. Camila Poccetti atende em seu consultório em São Paulo, no bairro Itaim Bibi, e oferece uma consulta completa, individualizada e humanizada para mulheres nas mais diversas fases de suas vidas!

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