Dor durante a relação sexual no pós-parto: o que pode ser e como tratar
Quer saber como tratar a dor durante a relação sexual no pós-parto?
Após o nascimento do bebê, o corpo da mulher passa por uma série de mudanças, e nem sempre a retomada da vida sexual acontece de forma tranquila.
A dor durante a relação sexual no pós-parto é mais comum do que muitas mulheres imaginam e pode envolver desde um desconforto leve até dores mais intensas que afetam a intimidade, a autoestima e a qualidade de vida.
Embora, em alguns casos, essa sensibilidade faça parte do processo natural de recuperação, é importante entender que a dor persistente não deve ser normalizada.
Assim sendo, conhecer as possíveis causas e as formas de tratamento é fundamental para que cada mulher tenha uma recuperação mais confortável.
O que caracteriza a dor durante a relação sexual no pós-parto e quais sintomas costumam acompanhar esse quadro?
A dor durante a relação sexual no pós-parto, conhecida como dispareunia pós-parto, é caracterizada por um desconforto que pode aparecer logo na penetração, durante o ato sexual ou até mesmo após a relação.
Essa dor pode surgir por diferentes motivos e é relativamente comum nos primeiros meses após o nascimento do bebê.
Esse desconforto costuma vir acompanhado de sintomas como sensação de ardência, queimação, pressão ou dor aguda, além de ressecamento vaginal, que é muito frequente durante a amamentação devido aos níveis baixos de estrogênio.
Algumas mulheres também relatam tensão no assoalho pélvico, sensação de “puxão” no local da cicatriz (se houve laceração ou episiotomia) e até medo ou ansiedade de retomar a vida sexual, o que pode piorar o quadro.
Em situações em que há infecções, como vaginite ou infecção urinária, também podem ocorrer corrimento alterado, mau odor ou ardência ao urinar.
Em quais situações essa dor é considerada esperada e em quais momentos passa a ser um sinal de alerta?
A dor durante a relação sexual no pós-parto pode ser esperada em algumas situações, especialmente nos primeiros meses após o parto.
Quando a mulher está amamentando, por exemplo, é comum que os níveis de estrogênio fiquem mais baixos, deixando a mucosa vaginal mais fina e seca, o que pode causar desconforto.
Da mesma forma, se houve lacerações, episiotomia ou algum grau de trauma perineal, é natural sentir uma sensibilidade maior até que a cicatrização esteja completa.
Mesmo sem lesões, o corpo ainda está em processo de recuperação, os músculos do assoalho pélvico podem estar enfraquecidos e a retomada gradual da vida sexual pode gerar algum incômodo leve.
Porém, quando a dor é persistente, intensa, piora com o tempo ou impede completamente a relação sexual, ela passa a ser um sinal de alerta.
Também merece atenção quando vem acompanhada de sintomas como:
- Sangramento anormal;
- Corrimento com odor forte;
- Febre;
- Ardência significativa ao urinar;
- Dor localizada na cicatriz que não melhora;
- Sensação de peso pélvico;
- Caso o desconforto apareça mesmo sem penetração.
Quais são as principais causas que podem levar esse desconforto a surgir depois do parto?
Entre as principais causas que podem levar ao surgimento de dor durante a relação sexual no pós-parto, destacamos:
- Trauma perineal (laceração ou episiotomia): após o parto vaginal, qualquer grau de corte, laceração ou sutura pode deixar a região mais sensível;
- Secura vaginal causada por queda de estrogênio: a amamentação reduz naturalmente os níveis de estrogênio, levando ao ressecamento vaginal e afinamento da mucosa;
- Enfraquecimento ou disfunção do assoalho pélvico: os músculos pélvicos podem ficar sobrecarregados durante a gestação e o parto;
- Cicatriz dolorosa ou hipersensível: algumas mulheres desenvolvem pontos de fibrose ou áreas de sensibilidade aumentada na cicatriz perineal, que podem causar dor à penetração;
- Infecções vaginais ou urinárias: infecções podem ser mais comuns no pós-parto devido às alterações hormonais e imunológicas. Elas causam ardência, dor e desconforto durante o ato sexual;
- Vaginismo ou tensão muscular involuntária: o medo da dor, ansiedade pós-parto, traumas de parto ou insegurança com o corpo podem levar a contrações involuntárias da musculatura vaginal;
- Alterações emocionais e psicológicas: fadiga intensa, ansiedade e até depressão pós-parto podem afetar a libido e contribuir para dor, já que o corpo reage com maior rigidez muscular;
- Amamentação exclusiva: além da secura vaginal, a produção elevada de prolactina reduz a lubrificação e diminui a resposta sexual, favorecendo o desconforto.
Como realizamos o diagnóstico da dor sexual no pós-parto?
O processo diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre o tipo de dor, quando ela ocorre, sua intensidade, fatores que aliviam ou pioram o quadro e como tem impactado a vida sexual e emocional da paciente.
Também investigamos o histórico obstétrico, incluindo presença de lacerações, parto instrumental, episiotomia e possíveis complicações pós-parto.
Em seguida, realizamos uma avaliação física, que inclui inspeção da vulva e períneo para identificar cicatrizes dolorosas, sinais de má cicatrização, fissuras, inflamação ou alterações na mucosa.
Além disso, a palpação delicada dos músculos do assoalho pélvico é importante para verificar a força muscular, pontos de dor, espasmos ou sinais de vaginismo.
Em alguns casos, podemos solicitar um exame para descartar infecções vaginais ou urinárias, e quando há suspeita de alterações mais complexas, como disfunções do assoalho pélvico, encaminhamos para a fisioterapia pélvica.
Quais são os tratamentos disponíveis e como eles variam de acordo com a causa da dor?
Quando a dor está relacionada à secura vaginal causada pela queda natural de estrogênio durante a amamentação, recomendamos o uso de lubrificantes e hidratantes vaginais regulares.

Em casos mais persistentes, podemos prescrever estrogênios vaginais de baixa dose, que são seguros para a maioria das mulheres que amamentam.
Quando a causa é a cicatriz dolorosa de laceração ou episiotomia, podemos indicar massagens perineais, cremes cicatrizantes e terapias para melhorar a elasticidade local.
Já nos casos em que o problema está relacionado a hipertonia ou disfunção do assoalho pélvico, muito comum após partos difíceis, a fisioterapia pélvica se torna o tratamento de escolha.
No nosso blog, temos um artigo completo sobre como funciona e os benefícios da fisioterapia pélvica, acesse para saber mais!
Por fim, tratamos infecções, como candidíase e vaginose, com medicamentos específicos, enquanto dor relacionada a prolapso uterino ou vaginal pode exigir fisioterapia, pessário ou, em casos avançados, tratamento cirúrgico.
Quando a mulher deve procurar ajuda especializada e por que isso é fundamental para a recuperação?
Buscar a ajuda da ginecologista é essencial sempre que a dor durante a relação sexual no pós-parto persiste além das primeiras semanas, causa bastante desconforto, impede a retomada da vida sexual ou vem acompanhada de outros sintomas.
Mesmo quando a mulher acredita que “é normal” sentir dor após o parto, uma avaliação especializada é importante para identificar a real causa do problema.
A ginecologista tem o papel de orientar, diagnosticar e indicar as melhores opções terapêuticas, garantindo uma recuperação segura e personalizada.
Lembramos que procurar ajuda precocemente evita que o problema se prolongue e interfere no bem-estar emocional, na autoestima e na vida sexual do casal.
Então, se você deseja uma avaliação completa e um plano de cuidado pensado para você, agende uma consulta com a uroginecologista agora mesmo!
Dra. Camila Poccetti Ribeiro
Médica ginecologista e obstetra especialista em Uroginecologia
Conheça a formação da Dra. Camila:
- Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp);
- Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM;
- Especialização em Uroginecologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM.
A Dra. Camila Poccetti atende em seu consultório em São Paulo, no bairro Itaim Bibi, e oferece uma consulta completa, individualizada e humanizada para mulheres nas mais diversas fases de suas vidas!


