Exercícios para fortalecer o assoalho pélvico: por que eles são importantes após o parto normal?

10 de setembro de 2026

Os exercícios para fortalecer o assoalho pélvico são importantes após o parto normal porque a gestação e o parto podem sobrecarregar e distender a musculatura responsável por sustentar a bexiga, o útero, a vagina e o reto.

O período após o nascimento do bebê envolve uma série de mudanças físicas e hormonais. 


Embora muitas mulheres se recuperem naturalmente, algumas apresentam perda de urina, sensação de peso na pelve, alterações na função sexual ou dificuldade para controlar gases e fezes. 


O treinamento adequado pode ajudar na recuperação dessa musculatura, melhorar o controle urinário e contribuir para a prevenção ou tratamento de algumas disfunções do assoalho pélvico. 


O que é o assoalho pélvico e qual é sua função?


O assoalho pélvico é formado por um conjunto de músculos, ligamentos e tecidos que ficam na parte inferior da pelve. 


Essa estrutura funciona como uma espécie de suporte para órgãos como a bexiga, o útero, a vagina e o reto.


Além de ajudar na sustentação desses órgãos, a musculatura participa do controle da urina e das fezes, contribui para a estabilidade da pelve e também está envolvida na função sexual.


Quando esses músculos sofrem alterações de força, resistência, coordenação ou capacidade de relaxamento, podem surgir diferentes sintomas. 


A American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) reconhece que alterações do assoalho pélvico podem estar relacionadas à incontinência urinária, perda fecal e prolapso dos órgãos pélvicos. 


Por que o parto normal pode afetar o assoalho pélvico?


Durante a gestação, o aumento do peso e do volume do útero provoca uma sobrecarga progressiva sobre as estruturas que sustentam os órgãos pélvicos. 


Além disso, as alterações hormonais da gravidez tornam os tecidos mais distensíveis.


No parto vaginal, a musculatura e os tecidos do assoalho pélvico sofrem uma distensão ainda maior para permitir a passagem do bebê. 


Dependendo das características do parto, podem ocorrer diferentes graus de lesão muscular ou dos tecidos de sustentação.


Isso não significa que o parto normal necessariamente provocará uma disfunção. Muitas mulheres se recuperam muito bem após o nascimento do bebê. 


Entretanto, alguns fatores podem aumentar o risco de alterações, como parto vaginal instrumental, determinadas posições do bebê e lesões do esfíncter anal. 


Quer conhecer os principais tratamentos para laceração no parto normal? Confira esse texto em nosso site!


Quais sintomas podem indicar que o assoalho pélvico precisa de atenção?


Nem sempre uma alteração do assoalho pélvico provoca sintomas imediatamente. 


Por isso, a avaliação pós-parto é importante mesmo quando a mulher acredita estar se recuperando normalmente.


Entre os sinais que merecem atenção estão:


  • Perda de urina ao tossir, espirrar, rir ou fazer exercícios; 
  • Vontade urgente de urinar ou dificuldade para segurar a urina; 
  • Sensação de peso ou pressão na região pélvica; 
  • Sensação de abaulamento ou de algo “descendo” pela vagina (prolapso genital); 
  • Perda involuntária de gases ou fezes; 
  • Dificuldade para evacuar; 
  • Dor pélvica
  • Desconforto ou alterações durante as relações sexuais; 
  • Sensação de fraqueza ou dificuldade para contrair a musculatura vaginal. 


A presença desses sintomas não significa necessariamente que exista uma lesão grave, mas indica que vale a pena realizar uma avaliação especializada.


Como a fisioterapia pélvica pode ajudar na recuperação do assoalho pélvico após o parto?


A fisioterapia pélvica é uma das principais estratégias para auxiliar na recuperação do assoalho pélvico após o parto, especialmente quando a mulher apresenta perda de urina, sensação de peso na pelve, alterações na função sexual ou dificuldade para controlar gases e fezes. 


O tratamento começa com uma avaliação da força, resistência, coordenação e capacidade de relaxamento da musculatura.


Durante o acompanhamento, podemos indicar diferentes exercícios e técnicas para melhorar a função do assoalho pélvico.


Assim, trabalhamos não apenas o fortalecimento muscular, mas também a coordenação com a respiração e o controle da pressão abdominal. 


Em algumas mulheres, por exemplo, o problema está relacionado à fraqueza muscular.


Já em outras, pode existir tensão excessiva ou dificuldade para relaxar a musculatura, situações que exigem uma abordagem diferente.


Além dos exercícios específicos, a fisioterapia pode incluir orientações sobre postura, hábitos urinários e intestinais, retorno gradual às atividades físicas e estratégias para prevenir ou reduzir a perda de urina durante esforços. 


O objetivo é recuperar a função da musculatura de maneira segura e adequada às necessidades de cada mulher.


Por isso, não é necessário esperar o aparecimento de sintomas importantes para buscar orientação. 


No nosso blog, temos um artigo completo sobre a fisioterapia pélvica, acesse para saber mais!


Fazer exercícios para o assoalho pélvico é suficiente para todas as mulheres?


Não necessariamente. Um dos principais erros é imaginar que toda mulher após o parto precisa simplesmente “apertar a vagina” para recuperar a musculatura.


O assoalho pélvico precisa ter não apenas força, mas também capacidade de relaxamento e coordenação. 


Algumas mulheres apresentam fraqueza muscular, outras podem apresentar tensão excessiva, dor ou dificuldade para relaxar.


Por isso, quando existem sintomas, a avaliação da uroginecologista e de uma fisioterapeuta especializada em saúde pélvica pode ser muito importante. 


Dessa forma, o programa de treinamento da musculatura do assoalho pélvico será adaptado à capacidade, aos sintomas e aos objetivos individuais da mulher. 


Quando começar os exercícios após o parto normal?


Em uma mulher que teve uma gestação saudável e um parto vaginal sem complicações, atividades físicas leves podem ser retomadas progressivamente após o nascimento.


Em geral, mulheres saudáveis podem voltar a se exercitar pouco tempo depois do parto, conforme se sintam preparadas. 


Entretanto, o momento adequado para iniciar ou intensificar exercícios do assoalho pélvico pode variar. 


Mulheres que tiveram lacerações importantes, parto instrumental, lesão do esfíncter anal, dor persistente ou outras complicações precisam de uma avaliação individualizada.


Também é importante diferenciar exercícios específicos para o assoalho pélvico da retomada de atividades de maior impacto, como corrida, saltos e treinos intensos. 


A progressão deve acontecer gradualmente e de acordo com a recuperação do corpo e, principalmente, orientação médica. 


Os exercícios ajudam a prevenir a incontinência urinária após o parto?


Eles podem ajudar.  A gestação e o parto estão entre os fatores associados à fraqueza das estruturas que dão suporte à uretra e à bexiga, o que pode contribuir para a incontinência urinária de esforço. 


O treinamento da musculatura do assoalho pélvico é uma das principais estratégias conservadoras utilizadas para melhorar a função muscular e auxiliar no controle da perda de urina.


Porém, a presença de incontinência urinária após o parto não deve ser simplesmente aceita como algo “normal”. 


Embora seja relativamente frequente, especialmente no período pós-parto, ela merece avaliação quando persiste ou interfere na qualidade de vida.


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É possível fortalecer o assoalho pélvico mesmo meses ou anos após o parto?


Sim. Não existe uma janela extremamente curta em que a mulher precisa obrigatoriamente recuperar a musculatura. 


Mesmo mulheres que tiveram filhos há anos podem se beneficiar de uma avaliação e de um programa adequado de treinamento, quando existe uma disfunção que pode ser tratada dessa maneira.


O importante é identificar o que está acontecendo atualmente. 


Uma mulher que apresenta perda de urina anos após o parto pode ter uma combinação de fatores.


Portanto, não devemos basear o tratamento apenas no fato de ter tido um parto vaginal no passado.


Dra. Camila Poccetti: cuidado especializado com a saúde pélvica após o parto


A Dra. Camila Poccetti é ginecologista, obstetra e uroginecologista, com formação pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde também realizou sua residência em Ginecologia e Obstetrícia e sua especialização em Uroginecologia.


Em sua atuação, realiza avaliação individualizada de mulheres que apresentam alterações do assoalho pélvico após a gestação e o parto.


A partir da história clínica, exame físico e, quando necessário, exames complementares, compreende como está a função do assoalho pélvico da paciente e determina quais estratégias podem ajudar na recuperação.


Seu atendimento combina conhecimento técnico, atualização científica e acolhimento, considerando não apenas a recuperação física após o parto, mas também o impacto dos sintomas na rotina da mulher.


Se você teve um parto normal e percebe perda de urina, sensação de peso na pelve, alterações na função sexual ou dúvidas sobre a recuperação do assoalho pélvico, agende uma consulta com a Dra. Camila Poccetti.



Receba uma avaliação personalizada e um encaminhamento aos cuidados mais adequados para o seu caso.


FAQ – Exercícios para fortalecer o assoalho pélvico após o parto


  • Por que fortalecer o assoalho pélvico após o parto normal?

    O parto vaginal pode distender a musculatura e os tecidos de sustentação da pelve. O treinamento adequado pode ajudar na recuperação muscular e no controle urinário e intestinal.

  • Quais exercícios fortalecem o assoalho pélvico?

    Os exercícios de Kegel são os mais conhecidos e consistem em contrair e relaxar a musculatura do assoalho pélvico. A execução correta deve ser orientada quando houver dúvidas ou sintomas.


  • Quando começar os exercícios do assoalho pélvico após o parto normal?

    O início depende da recuperação da mulher e de possíveis complicações do parto. Em casos sem complicações, exercícios leves podem ser retomados progressivamente, enquanto situações específicas exigem avaliação profissional.


  • Exercícios para o assoalho pélvico ajudam na incontinência urinária pós-parto?

    Sim. O treinamento da musculatura pélvica pode ajudar a melhorar a continência urinária, especialmente nos casos de incontinência urinária de esforço.

  • Toda mulher após o parto precisa fazer fisioterapia pélvica?

    Não necessariamente. A necessidade depende dos sintomas, fatores de risco e avaliação da função do assoalho pélvico. Quando existem alterações, a fisioterapia especializada pode ser muito útil.


  • Quando procurar a uroginecologista após o parto?

    A avaliação é indicada quando há perda de urina ou fezes, sensação de peso ou abaulamento vaginal, dor, alterações sexuais ou dificuldade para recuperar a função do assoalho pélvico após o parto.


Dra. Camila Poccetti Ribeiro

Médica ginecologista e obstetra especialista em Uroginecologia

 

Conheça a formação da Dra. Camila:

  • Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp);
  • Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM;
  • Especialização em Uroginecologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM.

 

A Dra. Camila Poccetti atende em seu consultório em São Paulo, no bairro Itaim Bibi, e oferece uma consulta completa, individualizada e humanizada para mulheres nas mais diversas fases de suas vidas!

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