O que é adenomiose e quais tratamentos existem?
O que exatamente é a adenomiose, por que ela surge e quais são os tratamentos disponíveis atualmente?
Cólicas intensas, fluxo menstrual aumentado e aquela sensação de que “algo não está certo” podem ser sinais de uma condição ainda pouco falada: a adenomiose.
Muitas vezes confundida com a endometriose, ela também afeta o útero e pode impactar diretamente a qualidade de vida da mulher.
Porém, a condição possui características próprias que fazem toda a diferença no diagnóstico e no tratamento.
Enquanto a endometriose acontece quando o tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, a adenomiose ocorre quando esse tecido invade a parede muscular do próprio útero.
Isso altera seu funcionamento e pode causar dor e sangramentos intensos.
Entender essas diferenças é o primeiro passo para buscar o melhor cuidado!
O que é adenomiose?
A adenomiose não é tão popularmente conhecida quanto a endometriose, mas, assim como ela, pode prejudicar bastante o bem-estar da mulher.
Trata-se de uma condição em que o tecido do endométrio, que normalmente reveste a parte interna do útero, passa a se desenvolver dentro da parede uterina, infiltrando-se no músculo (miométrio) e comprometendo sua estrutura e funcionamento.
Essas células podem se organizar em forma de nódulos, chamados adenomiomas, ou simplesmente alterar o padrão normal do tecido muscular uterino.
Em determinadas situações, o útero pode aumentar de tamanho, chegando a dobrar ou até triplicar seu volume.
Geralmente, a adenomiose é mais frequente em mulheres entre 35 e 50 anos, e seus sintomas tendem a reduzir ou desaparecer após a menopausa.
De acordo com a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) 35% dos casos de adenomiose não apresentam sintomas.
Isso faz com que muitas mulheres descubram a condição apenas de forma incidental, durante exames realizados por outros motivos.
Por outro lado, quando os sintomas estão presentes, eles podem ser intensos e impactar bastante a qualidade de vida.
O que causa a adenomiose?
A causa exata da adenomiose ainda não é completamente esclarecida, mas estudos indicam que ela está relacionada, principalmente, a alterações na interface entre o endométrio e o miométrio, permitindo que células do revestimento interno do útero invadam a camada muscular.
Uma das principais hipóteses envolve microlesões nessa região, que podem ocorrer ao longo da vida reprodutiva, especialmente após gestações, partos ou cirurgias uterinas, como cesarianas.
Essas lesões facilitariam a penetração do tecido endometrial no músculo uterino.
Além disso, fatores hormonais, especialmente o estrogênio, são importantes, já que a adenomiose é uma condição dependente desse hormônio e tende a se desenvolver durante os anos férteis, com melhora após a menopausa.
Quais são os principais sintomas dessa condição?
A adenomiose pode se manifestar de diferentes formas e seus sintomas variam de intensidade conforme cada mulher.
Embora alguns casos sejam assintomáticos, quando há sintomas, eles costumam interferir na rotina e no bem-estar.
Assim, é preciso estar atenta aos seguintes sinais:
- Cólicas menstruais intensas (dismenorreia): frequentemente progressivas e mais fortes do que o habitual;
- Sangramento menstrual abundante (menorragia): fluxo aumentado e, às vezes, com presença de coágulos;
- Menstruação prolongada: ciclos que duram mais dias do que o normal;
- Dor pélvica crônica: desconforto persistente na região inferior do abdômen;
- Sensação de pressão ou inchaço abdominal: relacionada ao aumento do útero;
- Dor durante a relação sexual (dispareunia): podendo afetar a qualidade de vida íntima.
Como realizamos o diagnóstico?
A suspeita de adenomiose geralmente começa quando a mulher apresenta sintomas característicos e, durante o exame ginecológico, identificamos sinais compatíveis com a condição.
Diante disso, solicitamos exames de imagem, principalmente a ultrassonografia transvaginal e, em alguns casos, a ressonância magnética.
Ambos são métodos eficazes, sendo a ultrassonografia responsável pela maior parte dos diagnósticos.
Na ultrassonografia, podemos observar achados como aumento do tamanho do útero, aspecto heterogêneo do miométrio e ausência de lesões típicas de miomas ou pólipos endometriais.
Já a ressonância magnética também evidencia o aumento uterino, além de mostrar alterações na zona de transição entre o endométrio e o miométrio, permitindo diferenciar melhor entre condições como leiomiomas e adenomiomas.

De forma geral, a combinação dos sintomas com os resultados dos exames de imagem costuma ser suficiente para confirmar o diagnóstico.
Além disso, podemos solicitar exames laboratoriais para avaliar possíveis consequências da doença, como anemia, especialmente em casos de sangramento menstrual intenso e frequente.
Quais são as principais opções de tratamento?
Em situações em que não há sintomas, especialmente quando a mulher está próxima da menopausa e não pretende ter filhos, muitas vezes não é necessário intervir, sendo indicado apenas o acompanhamento clínico.
Por outro lado, quando há dor ou sangramento menstrual intenso, precisamos considerar abordagens terapêuticas.
Nos casos em que a adenomiose está localizada, formando nódulos (adenomiose focal), indicamos uma cirurgia para retirada dessas lesões, com técnicas que preservam o útero.
Esse tipo de intervenção pode contribuir tanto para o alívio dos sintomas quanto para a melhora das chances de gestação.
Já quando a doença está espalhada por todo o útero (forma difusa), o tratamento costuma ser mais conservador, com foco no controle dos sintomas.
Recorremos a medicamentos anti-inflamatórios para aliviar a dor, enquanto terapias hormonais ajudam a reduzir o fluxo menstrual.
Além disso, podemos prescrever medicamentos que atuam na coagulação para diminuir o sangramento.
Existem também procedimentos minimamente invasivos, como a ablação do endométrio por histeroscopia, que podem oferecer melhora temporária dos sintomas.
Por fim, quando as opções clínicas não são suficientes ou há complicações importantes, como anemia persistente, indicamos a histerectomia, que consiste na retirada do útero.
Essa é considerada a abordagem definitiva para a adenomiose, especialmente em mulheres que não desejam mais engravidar.
Quando é importante procurar a ginecologista? Quais sinais não devem ser ignorados?
É essencial procurar a ginecologista sempre que houver alterações no ciclo menstrual ou sintomas que fujam do padrão habitual do corpo.
Cólicas muito intensas, sangramento menstrual excessivo ou prolongado, dor pélvica frequente, desconforto durante as relações sexuais e sensação de pressão na região abdominal são sinais que merecem atenção.
Muitas vezes, esses sintomas são normalizados ou ignorados, mas podem estar relacionados a condições como a adenomiose e outras doenças ginecológicas que precisam de avaliação adequada.
Além disso, episódios de cansaço excessivo, fraqueza ou tontura podem indicar anemia decorrente de perdas menstruais intensas, reforçando ainda mais a importância de investigar a causa.
Mesmo quando os sintomas são leves ou intermitentes, a avaliação médica é essencial para um diagnóstico precoce e para evitar a progressão do quadro.
Se você perceber qualquer um desses sinais ou sente que algo não está bem com o seu corpo, não adie o cuidado com a sua saúde!
Agende uma consulta com a Dra. Camila Poccetti e receba uma avaliação individualizada, com orientação segura e o tratamento ideal para o seu caso.
Dra. Camila Poccetti Ribeiro
Médica ginecologista e obstetra especialista em Uroginecologia
Conheça a formação da Dra. Camila:
- Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp);
- Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM;
- Especialização em Uroginecologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM.
A Dra. Camila Poccetti atende em seu consultório em São Paulo, no bairro Itaim Bibi, e oferece uma consulta completa, individualizada e humanizada para mulheres nas mais diversas fases de suas vidas!



