Malformações uterinas: conheça os principais tipos

27 de agosto de 2026

As malformações uterinas são alterações congênitas que podem passar despercebidas durante muitos anos, já que nem sempre provocam sintomas. 

Em algumas mulheres, a descoberta acontece apenas durante uma investigação de infertilidade, após abortos recorrentes ou durante exames de rotina. 


Conhecer os principais tipos de malformação é importante para entender seus possíveis impactos na fertilidade e na gestação e, quando necessário, buscar acompanhamento especializado. 


O que são as malformações uterinas e por que elas acontecem?


As malformações uterinas são alterações congênitas que surgem durante o desenvolvimento embrionário do aparelho reprodutor feminino. 


Elas estão relacionadas, principalmente, a alterações na formação, fusão ou desenvolvimento dos ductos de Müller, estruturas embrionárias que dão origem ao útero, às tubas uterinas e à parte superior da vagina.


Por serem formadas ainda durante o desenvolvimento fetal, essas alterações não são causadas por hábitos da mulher ou por algo que ela tenha feito durante a vida. 


A origem pode estar relacionada a fatores genéticos e alterações do desenvolvimento embrionário, embora nem sempre seja possível identificar uma causa específica.


É importante também diferenciar uma malformação uterina de alterações adquiridas ao longo da vida, como miomas, pólipos e aderências dentro do útero. 


Embora possam modificar a anatomia uterina, essas condições não são consideradas malformações congênitas.


No nosso blog, temos um artigo completo sobre os miomas uterinos, acesse para entender melhor!


Quais são os principais tipos de malformações uterinas?


Existem diferentes formas de anomalias uterinas, e a classificação pode variar de acordo com o sistema utilizado. 


Entre as principais alterações encontradas estão:


Útero septado


Existe uma divisão parcial ou completa da cavidade uterina por um septo.


É uma das alterações mais importantes quando há histórico de perdas gestacionais. 


Útero bicorno


O útero apresenta uma divisão externa mais acentuada, dando à sua parte superior um aspecto semelhante a dois “cornos”. 


Útero unicorno


Ocorre quando apenas um dos lados dos ductos de Müller se desenvolve adequadamente, resultando em um útero de formato assimétrico e, geralmente, menor. 


Útero didelfo


Caracteriza-se pela presença de dois corpos uterinos separados, decorrente de uma falha importante na fusão dos ductos de Müller. 


Útero arqueado


Apresenta uma pequena alteração no contorno da cavidade uterina, sendo considerada uma variante anatômica em algumas classificações. 


Agenesia uterina



Ocorre quando o útero não se desenvolve adequadamente, podendo estar associada a outras alterações do trato genital. 


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Além das alterações uterinas propriamente ditas, algumas pacientes podem apresentar anomalias do colo do útero ou da vagina associadas. 


Por isso, precisamos considerar todo o aparelho reprodutor e não apenas o formato do corpo uterino.


Quais sintomas podem indicar uma malformação uterina?


Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), as malformações uterinas são alterações congênitas que podem permanecer assintomáticas e serem descobertas durante exames de rotina ou investigações relacionadas à fertilidade. 


Contudo, quando existem manifestações clínicas, elas podem variar de acordo com o tipo de anomalia. 


Entre os possíveis sinais estão:


  • Alterações no padrão menstrual; 
  • Cólicas ou dor pélvica
  • Dor durante as relações sexuais
  • Dificuldade para engravidar; 
  • Abortos recorrentes; 
  • Partos prematuros ou outras complicações obstétricas; 
  • Alterações relacionadas à saída do fluxo menstrual em algumas malformações. 


Além disso, em adolescentes, determinadas alterações podem se manifestar por ausência da menstruação ou por dores menstruais importantes, principalmente quando existe uma obstrução à saída do sangue menstrual.


Por outro lado, é perfeitamente possível que uma mulher com uma malformação uterina tenha ciclos menstruais normais e engravide espontaneamente.


Malformação uterina pode causar infertilidade?


Pode, mas ter uma malformação uterina não significa necessariamente ser infértil. Algumas alterações anatômicas têm pouco ou nenhum impacto sobre a capacidade de engravidar. 


Em outras situações, porém, o formato ou o tamanho do útero pode dificultar a implantação do embrião ou estar associado a alterações que aumentam o risco de perda gestacional.


O impacto também depende do tipo de malformação.


Por isso, não devemos avaliar apenas a existência da alteração, mas compreender exatamente qual estrutura foi modificada e se ela interfere na função reprodutiva.


Essa diferenciação é especialmente importante durante uma investigação de infertilidade ou após perdas gestacionais recorrentes.


Quais são os riscos das malformações uterinas durante a gestação?


Algumas anomalias uterinas podem estar associadas a maior risco de determinadas complicações obstétricas. 


Dependendo do tipo e da anatomia, podem ocorrer maior frequência de abortamento, parto prematuro, apresentação fetal anômala e restrição do crescimento fetal.


Entretanto, esses riscos não são iguais para todas as mulheres. 


Uma paciente com uma determinada malformação pode ter uma gestação completamente saudável, enquanto outra pode precisar de um acompanhamento mais próximo.


Por isso, quando identificamos uma malformação antes ou durante a gestação, devemos avaliar a anatomia uterina e acompanhar o desenvolvimento da gravidez de acordo com os riscos específicos daquela paciente.


Como fazemos o diagnóstico dessa condição?


O diagnóstico começa com a avaliação clínica.


Levamos em consideração sintomas, histórico menstrual, gestacional e reprodutivo da paciente.


Ademais, para a investigação, podemos utilizar diferentes métodos de imagem, dependendo da suspeita. 


A ultrassonografia transvaginal, especialmente quando realizada com tecnologia tridimensional, pode fornecer informações importantes sobre o formato do útero e da cavidade uterina.


Também podemos indicar a ressonância magnética da pelve em situações selecionadas, principalmente quando é necessário detalhar melhor a anatomia ou esclarecer dúvidas encontradas na ultrassonografia.


Por fim, a histeroscopia permite visualizar diretamente o interior da cavidade uterina e pode ser especialmente útil para determinadas alterações, como o útero septado, inclusive quando existe indicação de tratamento.


Toda malformação uterina precisa de tratamento?


Não. Esse é um ponto importante para evitar tratamentos desnecessários.


A presença de uma alteração anatômica não significa automaticamente que seja necessário realizar uma cirurgia. 


Se a mulher não apresenta sintomas, não tem histórico de complicações reprodutivas e a malformação não representa risco significativo, podemos optar pelo acompanhamento.


Quando existe infertilidade, perdas gestacionais recorrentes, obstrução do fluxo menstrual ou outra complicação relacionada à anatomia uterina, podemos avaliar a possibilidade de intervenção.


A conduta deve considerar o tipo de malformação, os sintomas, o histórico reprodutivo, o desejo de engravidar e os possíveis benefícios e riscos do tratamento.


Como realizamos o tratamento das malformações uterinas?


Não existe um único tratamento para todas as malformações.


Em algumas situações, nenhuma intervenção é necessária; em outras, pode haver indicação cirúrgica.


Por exemplo, algumas pacientes com útero septado e histórico reprodutivo compatível podem ser candidatas à correção do septo por histeroscopia. 


Nesse procedimento, introduzimos um aparelho fino pela vagina e pelo colo do útero para visualizar a cavidade e realizar a correção sem necessidade de cortes no abdômen.


Entretanto, outras malformações possuem características anatômicas diferentes e não podemos tratar da mesma maneira. 


Por isso, indicamos a cirurgia somente após uma avaliação detalhada.


O objetivo não é simplesmente modificar o formato do útero, mas corrigir uma alteração quando existe evidência de que isso poderá trazer benefícios para a saúde, a fertilidade ou a gestação da paciente.



É possível engravidar depois do tratamento?


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Em alguns casos, sim.


Quando existe indicação de correção cirúrgica e a alteração estava contribuindo para dificuldades reprodutivas, o tratamento pode melhorar as condições anatômicas do útero.


Entretanto, a fertilidade depende de diversos fatores, incluindo idade, reserva ovariana, função das tubas, qualidade dos espermatozoides do parceiro e presença de outras doenças ginecológicas.


Por isso, não é correto afirmar que a cirurgia de uma malformação uterina necessariamente resultará em gravidez. 


Dra. Camila Poccetti: avaliação especializada das malformações uterinas


A Dra. Camila Poccetti é ginecologista, obstetra e uroginecologista, formada pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde também realizou sua residência em Ginecologia e Obstetrícia e sua especialização em Uroginecologia.


Em sua prática, realiza uma avaliação personalizada das pacientes com alterações ginecológicas, incluindo investigação de alterações uterinas, dificuldades reprodutivas e sintomas relacionados ao aparelho genital feminino.


A partir da história clínica, exame ginecológico e exames de imagem adequados, é possível compreender a anatomia uterina, identificar possíveis malformações e avaliar se existe necessidade de acompanhamento ou tratamento.


Se você recebeu o diagnóstico de uma malformação uterina, apresenta alterações menstruais, teve perdas gestacionais recorrentes ou está investigando dificuldades para engravidar, agende uma consulta com a Dra. Camila Poccetti para uma investigação detalhada.


FAQ – Malformações uterinas


  • O que são malformações uterinas?

    São alterações congênitas na formação ou na anatomia do útero que surgem durante o desenvolvimento embrionário. Algumas não causam sintomas, enquanto outras podem estar relacionadas à fertilidade ou à gestação.


  • Quais são os principais tipos de malformações uterinas?

    Entre os principais tipos estão o útero septado, bicorno, unicorno, didelfo, arqueado e a agenesia uterina. Cada alteração possui características e possíveis impactos diferentes.


  • Malformação uterina causa infertilidade?

    Nem sempre. Muitas mulheres com malformações uterinas conseguem engravidar naturalmente, mas algumas alterações podem estar associadas a dificuldades para engravidar ou maior risco de perdas gestacionais.


  • Como fazemos o diagnóstico de uma malformação uterina?

    O diagnóstico pode envolver ultrassonografia transvaginal, ultrassonografia tridimensional, ressonância magnética e, em situações específicas, histeroscopia. A escolha depende da alteração suspeitada.


  • Toda malformação uterina precisa de cirurgia?

    Não. Algumas alterações podem apenas ser acompanhadas. Consideramos a cirurgia quando existe uma indicação específica, como sintomas, complicações reprodutivas ou determinadas alterações anatômicas que podem ser corrigidas.


  • É possível engravidar com uma malformação uterina?

    Sim. Muitas mulheres com anomalias uterinas engravidam e têm gestações saudáveis. Quando existe uma malformação, o acompanhamento deve ser individualizado conforme o tipo de alteração e o histórico da paciente.


  • Malformação uterina pode aumentar o risco de complicações na gravidez?

    Alguns tipos de malformação podem estar associados a maior risco de aborto, parto prematuro ou alterações na posição do bebê. Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento obstétrico são importantes.


Dra. Camila Poccetti Ribeiro

Médica ginecologista e obstetra especialista em Uroginecologia

 

Conheça a formação da Dra. Camila:

  • Graduação em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp);
  • Residência em Ginecologia e Obstetrícia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM;
  • Especialização em Uroginecologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp) – EPM.

 

A Dra. Camila Poccetti atende em seu consultório em São Paulo, no bairro Itaim Bibi, e oferece uma consulta completa, individualizada e humanizada para mulheres nas mais diversas fases de suas vidas!

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